quinta-feira, 11 de setembro de 2014

Liefmans Fruitesse - Saga finale

Para encerrar a saga belga, uma cerveja para fechar com chave de ouro, a Liefmans Fruitesse, da poderosa cervejaria Duvel (como tantas outras belgas).Trata-se de uma cerveja de altíssima qualidade e de um encanto unânime - ou quase. Não tinha ouvido falar nesta cerveja quando da compra, mas estava a fim de experimentar uma cerveja frutada e ela foi minha escolhida, a despeito de seu preço, 15 reais por 250ml.

Depois, pesquisando, vi que não é uma cerveja muito fácil de se comprar na internet. No Clube do Malte ela está sempre esgotada, enquanto que no Birras só é possível comprar o copo (que, diga-se de passagem, é muito legal). O melhor preço que achei de lojas online foi o da BeerShop, embora lá igualmente a cerveja estivesse em falta.


Ao abrir a garrafa logo se sente o cheiro delicioso das frutas vermelhas, preponderantemente a cereja e a framboesa. É de longe a cerveja mais cheirosa que já tomei, justamente por não ter cheiro de cerveja, mas de perfume. Isso me deixou muito ansioso por experimentá-la.

O primeiro gole é amor à primeira vista. A cerveja é um tesão: cheirosa, doce e gostosa. Sua coloração é de um vermelho que tende para o vinho, bem translúcida. No sabor, não se sente qualquer amargor, sem, contudo, ter aquele adocicado enjoativo, o que faz tanto os homens quanto as mulheres adorarem.

Para a segunda garrafa, fiz um copo com bastante gelo, como vi nas propagandas. Fui meio desconfiado, afinal cerveja e gelo não é uma de regra uma boa combinação, mas a Liefmans ficou ainda melhor. É uma cerveja refrescante, um drink para se apreciar no verão.

Gelo e cerveja pode, sim, ser uma boa combinação.
Apesar de hoje pertencer à Duvel Moortgat, a criação da Liefmans data do século XVII, na cidade de Oudenaarde, na Bélgica, tendo como fundador o mestre cervejeiro Jacubus Liefmans. A Liefmans Fruitesse, no entanto, foi lançada apenas em 1956.

Uma curiosidade é que esta foi a primeira cervejaria a ter uma mulher como mestre cervejeira, Rosa Merckx, cuja assinatura é estampada em todas os rótulos da cervejaria, como forma de homenagem àquela que tanto contribuiu para o crescimento e ainda participa desse minucioso processo. No seu site é possível encontrar toda a história da cervejaria, além de mais informações acerca de seus outros rótulos e de visitações (7,5 euros, duas horas).

Portanto, esta frutada foi uma ótima experiência, apesar de mais carinha. Com certeza está entre as mais memoráveis cervejas que já tomei. Uma dica que dou é guardar a garrafa, pois o maravilhoso cheiro fica ali por bastante tempo; sempre que sentia saudade, abria-a e tragava o aroma. Esta cerveja deve ser consumida em baixas temperaturas e é uma cerveja de verão, o que não significa que não seja uma boa pedida para o frio também.





sexta-feira, 14 de fevereiro de 2014

Vedett White - saga belga

Depois da nem tanto agradável com a Duvel, não desanimei e procurei outra cerveja belga - afinal eu tinha que fazer as pazes com a Bélgica. Estava passando pelo mercando, quando, na seção de cervejas especiais, vi uma breja com um rótulo muito diferente em promoção. Li as informações e vi que era uma Witbier. Essas cervejas, conforme a classificação do Brejas, são aquelas "esbranquiçadas devido às leveduras e ao trigo suspenso (daí o nome). Possui um toque cítrico de laranja, já que a casca da fruta é usada como complemento ao lúpulo. Também leva 'coriander', conhecido por nós como semente de coentro"

Trata-se da Vedett White, uma cerveja belga, moderna e nova. Ela me custou R$ 9,70 e é bastante divulgada no momento no Brasil; já vi em diversas lojas e bares. No Clube do Malte, o preço está inflacionado, então eu recomendo a compra em supermercados ou noutras beer stores, como já referi, ela é bem fácil de ser encontrada. 

A minha escolha pela Vedett foi muito em função do rótulo e, lógico, da promoção, já que eu nunca tinha ouvido falar dessa cerveja. O seu rótulo é diferente dos demais, ele simplesmente não parece o de uma cerveja. Isso me despertou curiosidade e não titubeei na decisão de experimentá-la. Na frente, listras com cores claras e um urso, enquanto, no verso, o rótulo traz fotos de jovens se divertindo. Essa "arte" fez com que eu criasse uma imagem da Vedett como uma cerveja para bons momentos.
Refrescante até no rótulo





No primeiro gole, o toque de casca de laranja e de limão é perceptível e a refrescância é impressionante. A sua cor faz jus à classe: é uma cerveja (quase) branca. O cheiro também é muito agradável, bem como o pós drink, tendo um teor alcoólico de 4,7%.

Entretanto, o que mais me agradou nessa breja foi saber que somente ingredientes naturais são usados na sua fabricação. Trata-se daquele tipo de cerveja que ninguém põe defeitos, embora provavelmente não seja a favorita de ninguém. É uma pedida ideal para festas e o churrasco com a galera.


sexta-feira, 31 de janeiro de 2014

Duvel amargurada

Comprei esta cerveja antes de sair de férias e deixei na geladeira; de volta, chegando em casa, desanimado pelo fim das férias, resolvi degustar esta famosa belgium ale. 

Comprei a garrafa de 330ml, que parece menor, pelo seu estilo atarracado, típico dessas cervejas - ela me custou 11 reais. O Birras vende um kit com duas garrafas e um copo personalizado. Se você não deseja pagar 75 reais, o que é muito compreensível, eles também vendem a garrafa individual, que custa R$ 16,90. No entanto, é bem provável que lojas e alguns supermercados das maiores cidades vendam a Duvel, já que ela é bem conhecida.

De cara, ao servi-la, sua coloração e seu corpo impressionam. São realmente excepcionais. A espuma fica com um tamanho considerável, mas tem uma cor muito alva e dá uma aparência magnífica para a cerveja. Outra coisa que impressiona é a quantidade de bolhas, bem grandes, que ficam incessantemente subindo. 

Sua cor é de um amarelo escuro para marrom, turvo, muito bonito. O cheiro é bem complexo: ora puxa para os aromas das frutas, ora parece um remédio.

Quando se coloca a Duvel na boca, logo se percebe que ela faz jus à sua categoria. É uma strong ale forte, uma confusão de sabores, doce, amargo, frutado. E a sensação depois do gole é de algo ácido, nada agradável. Seu teor alcóolico é bastante alto: 8,5%. Mas como tomei só uma garrafa, não senti a diferença. A temperatura ideal para bebê-la é entre 5 e 7ºC. 

Brouweij Moortgat
A Duvel é uma das cervejas mais famosas da Bélgica e é fabricada pela cervejaria Brouweij Moortgat. Sua origem remonta ao século XIX - mais precisamente em 1871 - quando Jan Leonard Moortgat decidiu abrir uma linha de produção de cervejas com uma receita familiar. Por um bom tempo a cervejaria pertenceu à família, mas em razão de uma crise feroz nos anos 60, ela foi vendida. 

Apesar de consolidada e tradicional, seu nome nem sempre foi este. No pós 1ª guerra, os Moortgats davam o nome ao seu produto de Victory Ale, em homenagem à vitória dos aliados. No entanto, na década de 20, um bebedor assíduo descreveu a cerveja como um "duvel" - diabo em flamengo - em virtude do seu forte teor alcóolico. O apelido ganhou força e logo os donos trataram de mudar o nome.

Apesar de sua história e de sua fama, minha avaliação para esta strong golden ale é negativa. A propaganda e o apelo ao seu consumo não fazem jus ao seu sabor. Aliás, no que se refere ao marketing, a cerveja tem boas iniciativas, a começar pelo seu site, que é show de bola. Pelo sabor, não recomendo, mas, por sua tradição e história, todo cervejeiro deve experimentá-la. 



domingo, 28 de julho de 2013

Fichas de degustação

Muitos degustadores gostam de colocar suas sensações em dados e estatísticas. É uma tentativa de tabelar as sensações que tiveram ao tomar uma ceva, além de registrar algumas de suas características. Abaixo, a ficha do Clube do Malte:







O Estadão também disponibilizou sua ficha, a qual, para mim, é ainda melhor e mais completa que a exposta acima: veja aqui




domingo, 21 de julho de 2013

Paulaner Original - Noite de frio II

Depois de degustar uma Blonde Ale (veja aqui), senti saudade da velho estilo Lager. Como tinha ida ao mercado no dia anterior e comprado a breja alemã, decidi que esta seria a noite apropriada para apreciá-la. 

A diferença entre as Ales e as Lagers, além do sabor (esta mais amarga, aquela mais adocicada), é que as Lagers têm um modo de produção diferente das Ales. Basicamente, as Ales são fermentadas em temperaturas mais altas e com a levedura no topo, enquanto as Lagers com baixas temperaturas e levedura ao fundo. É claro que os críticos da arte da breja gostam de estigmatizar algumas Lagers, mas as críticas na maioria das vezes são infundadas. Apesar de reconhecer o valor de uma Ale artisticamente trabalhada, sou da teoria que uma Lagerzinha sempre vem bem; foi por isso que escolhi a Paulaner.


O custo por uma garrafa de 500ml foi de R$ 11,50. No BIRRAS, o custo é de R$ 12,90, além do frete, é claro. Dei uma olhada no Clube do Malte, mas como o produto está esgotado, eles nem informam o preço. 

Devidamente gelada, numa temperatura - creio eu - entre 5 e 7 graus, abri a germânica. Dessa vez, fui zeloso e consegui fazer o colarinho perfeitamente. O primeiro gole desceu suave e refrescante. Como já tinha jantado, apenas apreciei a cerveja, mas não há dúvida de que se trata de uma daquelas perfeitas para acompanhar uma boa refeição. O teor alcoólico é de 4,9%.

Perfeita pra um Happy Hour
É uma cerveja muito levemente amarga, maltada, refrescante, que te relaxa do começo ao fim. É a cerveja mais vendida do mundo da terra da Oktoberfest, Munique. Dando uma pesquisada, vi que essa Paulaner data do final do século XIX e se trata de um aperfeiçoamento das Lagers de Munique, que inicialmente tinham uma coloração mais escura, criando, assim, um novo estilo de cerveja chamado Münchner Helles. Segundo o Clube do Malte, "O nome da cervejaria Paulaner refere-se à Ordem dos Mínimos, (Paulaner Orden) que residiam na Neuhauser Strasse, em Munique, fundada por São Francisco de Paula."

O marketing dessa cervejaria é muito forte. Apesar de não ter entrado com força no Brasil, eles são muito fortes na Alemanha. É a cerveja oficial do Bayern de Munique, clube mais forte e popular da Alemanha. No site deles, tem até um setor dedicado ao clube: http://www.paulaner.com/our-brand/paulaner-and-fc-bayern-muenchen. Segue abaixo um videozinho que provavelmente é exibido com muita frequência na televisão alemã:


Assim, a despeito de que, para mim, as diferenças entre Lagers são muito sutis, gostei muito dessa Paulaner Original. A cervejaria Paulaner também tem outros tipos de cerveja; de trigo são várias. Pretendo experimentar as soon as possible.




sábado, 20 de julho de 2013

Leffe Blond - frio e loura

Maior frio do estado do Rio Grande do Sul nos últimos 10 anos, vontade master de ficar em casa. Abro a geladeira e vejo aquela loira me olhando. Fazia alguns meses que já tinha comprado e até tinha esquecido na geladeira. Mas ainda tava no prazo de validade, então mandei ver.

A garrafa de 330ml me custou pouco menos que 7 reais em um supermercado à época. No BIRRAS, o site de vendas de cervejas especiais que eu costumo comprar, achei por R$ 9,40, e no Clube do Malte, R$ 11,40. Portanto, melhor dar uma procurada no mercado antes.


   
Coloração maravilhosa e um sabor especial


Peguei meu copo da Budweiser e fui servir a ceva. A coloração é mesmo maravilhosa. Enquanto servia, inspirado pelo mar de ouro que via, tentei dar uma de bonzão e fazer um colarinho perfeito. Mas o volume da garrafa era muito maior que o volume do meu copo, resultado: desperdício de cerveja. Primeiro porque derramou uns 50ml e, além disso, o colarinho ficou gigantesco, de modo que tive que tirar parte dele com uma colher. Sei que se eu esperasse um pouco, a espuma daria uma amainada, mas a vontade de apreciar aquele conteúdo tomava conta de mim. 

No primeiro gole, tive a sensação de estar tomando um champagne. Trata-se de uma cerveja frutada e meio adocicada, como uma Blonde Ale deve ser. Dando uma olhada no rótulo, conferi que a ceva tem toques de cravos da índia e até de banana. É uma boa pedida pra quem curte cervejas mais suaves. 


                        


O teor alcoólico é de 6,6%, dentro do normal para uma cerveja tipo Ale. No site deles (http://www.leffe.com/en/leffe-blond) tem até um "Conselho do Expert":

“The first thing to appeal to me is Leffe Blond’s beautifully golden colour, which manages to catch and reflect the light. This unique colour is due to the use of pale malt, water, hop and yeast, of which this age-old recipe is composed. This blond, top-fermented beer will also win you over with its full, smooth and fruity flavour, which is followed by a strong and surprising aftertaste.”

O mais legal dessa cerveja, no entanto, é a sua história. Ela começou a ser fabricada em 1240 por monges de uma abadia da Bélgica (abadia Leffe) e ainda tem a mesma receita. São séculos de tradição e de um trabalho perfeito. Além da Blonde, a cervejaria Leffe ainda produz dois tipos de cerveja: a Brown e a Radieuse. A Blonde é a cerveja de Abadia mais vendida no mundo

Depois de terminar de tomá-la, fiquei com um gosto meio doce na boca. De fato, as cervejas tipo Ale não são minhas favoritas. Não considerei o sabor ruim, longe disso. Confesso, tenho um gosto "estrago", sou um Lager-addicted. Mas a experiência foi nota dez. Ver aquela coloração dourada intensa e imaginar toda a linha de produção, desde a idade média até os dias de hoje é uma sensação muito boa.