Muitos degustadores gostam de colocar suas sensações em dados e estatísticas. É uma tentativa de tabelar as sensações que tiveram ao tomar uma ceva, além de registrar algumas de suas características. Abaixo, a ficha do Clube do Malte:
O Estadão também disponibilizou sua ficha, a qual, para mim, é ainda melhor e mais completa que a exposta acima: veja aqui
Depois de degustar uma Blonde Ale (veja aqui), senti saudade da velho estilo Lager. Como tinha ida ao mercado no dia anterior e comprado a breja alemã, decidi que esta seria a noite apropriada para apreciá-la.
A diferença entre as Ales e as Lagers, além do sabor (esta mais amarga, aquela mais adocicada), é que as Lagers têm um modo de produção diferente das Ales. Basicamente, as Ales são fermentadas em temperaturas mais altas e com a levedura no topo, enquanto as Lagers com baixas temperaturas e levedura ao fundo. É claro que os críticos da arte da breja gostam de estigmatizar algumas Lagers, mas as críticas na maioria das vezes são infundadas. Apesar de reconhecer o valor de uma Ale artisticamente trabalhada, sou da teoria que uma Lagerzinha sempre vem bem; foi por isso que escolhi a Paulaner.
O custo por uma garrafa de 500ml foi de R$ 11,50. No BIRRAS, o custo é de R$ 12,90, além do frete, é claro. Dei uma olhada no Clube do Malte, mas como o produto está esgotado, eles nem informam o preço.
Devidamente gelada, numa temperatura - creio eu - entre 5 e 7 graus, abri a germânica. Dessa vez, fui zeloso e consegui fazer o colarinho perfeitamente. O primeiro gole desceu suave e refrescante. Como já tinha jantado, apenas apreciei a cerveja, mas não há dúvida de que se trata de uma daquelas perfeitas para acompanhar uma boa refeição. O teor alcoólico é de 4,9%.
Perfeita pra um Happy Hour
É uma cerveja muito levemente amarga, maltada, refrescante, que te relaxa do começo ao fim. É a cerveja mais vendida do mundo da terra da Oktoberfest, Munique. Dando uma pesquisada, vi que essa Paulaner data do final do século XIX e se trata de um aperfeiçoamento das Lagers de Munique, que inicialmente tinham uma coloração mais escura, criando, assim, um novo estilo de cerveja chamado Münchner Helles. Segundo o Clube do Malte, "O nome da cervejaria Paulaner refere-se à Ordem dos Mínimos, (Paulaner Orden) que residiam na Neuhauser Strasse, em Munique, fundada por São Francisco de Paula." O marketing dessa cervejaria é muito forte. Apesar de não ter entrado com força no Brasil, eles são muito fortes na Alemanha. É a cerveja oficial do Bayern de Munique, clube mais forte e popular da Alemanha. No site deles, tem até um setor dedicado ao clube: http://www.paulaner.com/our-brand/paulaner-and-fc-bayern-muenchen. Segue abaixo um videozinho que provavelmente é exibido com muita frequência na televisão alemã:
Assim, a despeito de que, para mim, as diferenças entre Lagers são muito sutis, gostei muito dessa Paulaner Original. A cervejaria Paulaner também tem outros tipos de cerveja; de trigo são várias. Pretendo experimentar as soon as possible.
Maior frio do estado do Rio Grande do Sul nos últimos 10 anos, vontade master de ficar em casa. Abro a geladeira e vejo aquela loira me olhando. Fazia alguns meses que já tinha comprado e até tinha esquecido na geladeira. Mas ainda tava no prazo de validade, então mandei ver.
A garrafa de 330ml me custou pouco menos que 7 reais em um supermercado à época. No BIRRAS, o site de vendas de cervejas especiais que eu costumo comprar, achei por R$ 9,40, e no Clube do Malte, R$ 11,40. Portanto, melhor dar uma procurada no mercado antes.
Coloração maravilhosa e um sabor especial
Peguei meu copo da Budweiser e fui servir a ceva. A coloração é mesmo maravilhosa. Enquanto servia, inspirado pelo mar de ouro que via, tentei dar uma de bonzão e fazer um colarinho perfeito. Mas o volume da garrafa era muito maior que o volume do meu copo, resultado: desperdício de cerveja. Primeiro porque derramou uns 50ml e, além disso, o colarinho ficou gigantesco, de modo que tive que tirar parte dele com uma colher. Sei que se eu esperasse um pouco, a espuma daria uma amainada, mas a vontade de apreciar aquele conteúdo tomava conta de mim.
No primeiro gole, tive a sensação de estar tomando um champagne. Trata-se de uma cerveja frutada e meio adocicada, como uma Blonde Ale deve ser. Dando uma olhada no rótulo, conferi que a ceva tem toques de cravos da índia e até de banana. É uma boa pedida pra quem curte cervejas mais suaves.
O teor alcoólico é de 6,6%, dentro do normal para uma cerveja tipo Ale. No site deles (http://www.leffe.com/en/leffe-blond) tem até um "Conselho do Expert":
“The first thing to appeal to me is Leffe Blond’s beautifully golden colour, which manages to catch and reflect the light. This unique colour is due to the use of pale malt, water, hop and yeast, of which this age-old recipe is composed. This blond, top-fermented beer will also win you over with its full, smooth and fruity flavour, which is followed by a strong and surprising aftertaste.”
O mais legal dessa cerveja, no entanto, é a sua história. Ela começou a ser fabricada em 1240 por monges de uma abadia da Bélgica (abadia Leffe) e ainda tem a mesma receita. São séculos de tradição e de um trabalho perfeito. Além da Blonde, a cervejaria Leffe ainda produz dois tipos de cerveja: a Brown e a Radieuse. A Blonde é a cerveja de Abadia mais vendida no mundo
Depois de terminar de tomá-la, fiquei com um gosto meio doce na boca. De fato, as cervejas tipo Ale não são minhas favoritas. Não considerei o sabor ruim, longe disso. Confesso, tenho um gosto "estrago", sou um Lager-addicted. Mas a experiência foi nota dez. Ver aquela coloração dourada intensa e imaginar toda a linha de produção, desde a idade média até os dias de hoje é uma sensação muito boa.